Design e Interação: O que é Ergonomia Cognitiva? Por que ela é tão importante em um SCADA?

January 19, 2017

O futuro chegou. Estamos 24 horas por dia rodeados por máquinas e essa inserção delas no nosso dia-a-dia, em sua maior parte, não foi compulsória. Diferente dos primeiros computadores, recebemos bem os novos aparelhos porque são feitos especialmente para a gente, isso porque antes não existia a preocupação com o esforço mental e físico que o operador precisava para realizar seu trabalho. Por isso lidar com máquinas era um pesar. Foi o surgimento dos estudos de ergonomia um dos responsáveis pelas mudanças culturais trazidas pela tecnologia..

 

A ergonomia física, que deu origem ao conceito, surgiu séculos atrás, antes mesmo da maioria das máquinas, quando percebeu-se que alguns trabalhos poderiam causar determinados problemas de saúde e acidentes. Você provavelmente já ouviu falar que a média de expectativa de vida entre canhotos é menor. Embora este fato não seja suficiente para causar diferenças expressivas nos níveis de mortalidade, não se pode ignorar que canhotos estão mais sujeitos a sofrerem danos, uma vez que a maioria das ferramentas que utilizamos no nosso dia-a-dia são projetadas para destros, mas isso vem mudando aos poucos.

 

Em compensação, o meio digital, desde sua existência, demorou poucos anos para começar a sofrer as melhorias. Em plena era informacional, rapidamente percebeu-se as dificuldades desse novo tipo de interação. Surge então a ergonomia cognitiva, que assim como a física, procura garantir conforto, praticidade e evitar o cansaço e erros na interação, dessa vez da mente com o objeto.

 

Cognição é o meio como aprendemos qualquer coisa, e consequentemente, como nos lembramos, categorizamos, entendemos e julgamos elas, que podem ser desde o conteúdo de uma aula regras de conduta social. Esses processos envolvem imaginação, raciocínio, memória, capacidade de associar, e diversas outras instâncias do pensamento, e todos devem ser levados em conta na construção de um produto para um usuário.

 

Os primeiros computadores não possuíam quase nenhuma serventia para entretenimento, apenas trabalho. Quando superamos as linhas de código e começaram a surgir consoles de videogame e interfaces WIMP (window, icon, menus, pointer) passamos a ver a aplicação de ergonomia e usabilidade no ambiente de trabalho, permitindo também a difusão da tecnologia para o uso pessoal.

 

Windows 1.0, uma das primeiras aplicações de WIMP, um grande avanço de usabilidade

 

Com o constante avançar da tecnologia as transformações cognitivas desse meio nunca param. Já evoluímos para aparelhos portáteis com interação diretamente na tela e aprendemos rapidamente a utilizá-los com maestria, graças aos estudos de ergonomia. Websites são outro exemplo claro disso. Com a difusão da internet e os abusos de recursos gráficos que ela permitia percebeu-se a necessidade investimento em design para garantir o retorno dos usuários a página.

 

 

Website dos anos 90

 

Os softwares SCADA, por sua vez, talvez pelo fato de não ser de escolha do usuário, não acompanharam essas mudanças. Até pouco tempo atrás eram construídos de forma pouco intuitiva. Diversos são os problemas ainda presentes de legibilidade, exigindo muito esforço do operador para absorver as informações e encontrar possíveis problemas e soluções. A interface por si só, com elementos desnecessários e cores chamativas causam bastante fadiga visual, dificultando ainda mais a visibilidade em um software que por segurança, precisa expor muitos dados ao mesmo tempo.

 

 

Tela de SCADA mal organizada e com imagens 3D distrativas

 

Em algumas horas exposto a isso, um operador pode facilmente cometer falhas. Neste ponto, é importante lembrar também da mais recente área da ergonomia, a ergonomia organizacional, que gerencia sistemas e pessoas, otimizando o ambiente de trabalho.

 E se tratando de ambientes industriais, a responsabilidade que a interação homem-máquina possui é de segurança pública. Acidentes fatais já envolveram falhas humana causadas por falta de consciência da situação. Não basta um operário qualificado, uma interface antiquada que não seja capaz de alertar com clareza também é imprudência.

 

No post a seguir você verá exemplos reais em que displays com deficiência em ergonomia influenciaram em eventos resultantes em explosões, naufrágios e acidentes aéreos.

 

Se quiser se aprofundar no assunto, baixe o nosso eBook gratuito: Design de Interface Aplicado aos Sistemas SCADA.

 

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